Ele voltava para casa extremamente bêbado. Tomou mais do que
deveria de uma mesma bebida, e como se não fosse o suficiente, misturou-a com
outras. A algazarra de álcool em seu
estômago borbulhava; sua visão
distorcida não o distraía da urgência de urinar. Parecia que quanto mais perto
de sua casa ele chegava, maior o aperto na bexiga. Não queria parar no meio da
rua movimentada para fazer suas necessidades, precisava chegar logo em casa.
Com um gemido, ele se levantou do chão
e tentou chegar rapidamente ao banheiro, deixando um rastro molhado pelo
caminho. Teve pouco sucesso em fazer isso de maneira discreta. Esbarrou e caiu
sobre a pequena mesa de vidro que ficava no corredor, a caminho do banheiro.
Levantou-se e continuou o percurso mancando. Atrás dele, ficaram vasos quebrados
e uma bíblia caída, aos poucos absorvendo um líquido amarelo e outro vermelho.
Sem perceber, ele havia se cortado na perna, e uma grande lasca de vidro
alojava-se em sua coxa.
No banheiro, já era tarde. Não podia mais controlar o fluxo.
Ao olhar para baixo, percebeu que suas calças estavam não apenas úmidas de
urina, mas de sangue espesso. Voltou-se para trás e viu o seu caminho marcado
por vermelho. Ele nunca lidava bem com sangue. Sentiu o cheiro ferruginoso com
mais intensidade, e isso, misturado à embriaguez, levou-o a curvar-se e
vomitar. Despejando os conteúdos meio fora do vaso, não conseguiu manter-se em pé, caiu para trás,
as mãos apoiando sua queda. O vômito não parou, ele continuou expelindo, sem
forças para sequer virar a cabeça para o lado. O fluído escorria por seu
queixo. A camisa, uma vez limpa, sujou-se. E em sua calça formou-se uma mistura
de urina, sangue e vômito, cujo odor só dava-lhe vontade de seguir vomitando.
Estava semiconsciente dos ruídos vindo de cima. Seus pais o
haviam escutado e desciam as escadas. Já sem vomitar, ele tentou controlar a
tontura, manter-se desperto. Mirando a luz do banheiro, tudo girava. Ele sentia
a consciência esvaindo-se. E antes que seus pais chegassem, desmaiou.